sexta-feira, 29 de junho de 2012

1 Ano de "Acadêmicos Curiosos"


          Há um ano, mais precisamente no dia 29 de junho de 2011, publicávamos o nosso primeiro texto no “Acadêmicos Curiosos”.  E hoje, com grande alegria comemoramos junto a vocês o nosso primeiro ano de existência. Hoje não teremos uma temática específica para abordarmos, afinal estamos em festa! E reservamos esse dia para agradecer a todos os seguidores, amigos e visitantes que partilham conosco esse espaço de debate, reflexão... E que mesmo às vezes os textos sejam de cunho teórico, procuramos fazer uma escrita didática, acessível a todos que nos leem e nos prestigiam! 
          Atingimos a marca de mais de 7 mil acessos nesse um ano de existência. Muitas visitas do Brasil, mas também de pessoas de outros países como E.U.A, Alemanha, Rússia,  Portugal, Ucrânia, Coréia do Sul, Reino Unido, Índia, Canadá, Moçambique e etc. que marcaram sua presença. E pretendemos percorrer mais lugares a fim de levarmos nossas reflexões acerca dos assuntos das mais diversas temáticas, acadêmicas ou não. 
      Agradecemos também aos que compartilharam conosco através dos comentários. Sempre que divulgamos um texto ficamos na espera de como o público reagirá à nossa abordagem, e na medida em que vocês comentam, discutimos e sabemos suas opiniões. Isso, sem dúvida, é muito gratificante para nós!
           O nosso blog, não se restringe a textos escritos por nós, por isso abrimos espaço para que vocês nos escrevessem e contribuíssem com suas discussões. E com grande prazer dividimos esse espaço com Gracielle Silva ao nos enviar o texto: “Racismo é violência! Diga não!”, e também da contribuição de Girlene Medeiros ao escrever o texto: "Pelo direito livre escolha da profissão". Além delas, esperamos também o seu texto para ser divulgado aqui no “Acadêmicos Curiosos”. 
          E para não esquecer, estamos de visual novo, além de termos criado um banner que vocês podem nos divulgar nas redes sociais que vocês fazem parte, bem como estamos contando agora com a parceria do blog “Pistas da História”. Contamos com a presença de novos parceiros que divulguem nosso trabalho, como também iremos prestar o mesmo auxílio, contribuindo com o desenvolvimento de ambos os blogs. Desde já agradecemos a colaboração de todos que prestaram um importante papel a este blog. E resumimos todas essas palavras de agradecimento, com um muito obrigado! 

Acadêmicos Curiosos

domingo, 20 de maio de 2012

"Um país se faz com homens e livros” *




          A vida acadêmica a cada dia que passa nos exige que foquemos o nosso tempo com diversas leituras. E quando se trata da área das humanidades como um todo, essa exigência se torna ainda maior. Constantemente temos apertado cada vez mais o nosso tempo no diálogo com os teóricos e pensadores. Nesse sentido pensando no caráter da leitura, me peguei indagando a seguinte questão: Como se dá o hábito da leitura entre os brasileiros de maneira geral? Será que temos lido muito? Eis que encontrei algumas respostas.
           Não há como negar que a invenção da imprensa por Johannes Guttenberg no século XV, certamente revolucionou a sociedade como um todo, na medida em que o conhecimento foi pouco a pouco se difundindo pelo mundo, conhecimento este antes restrito a uma minoria.
          Mas, e a leitura? Não há dúvida que a linguagem escrita foi uma das revoluções mais importantes para as sociedades, é a partir dela que os indivíduos têm a oportunidade de abarcar conhecimento com novas culturas, fazendo com que a integração desses mesmos indivíduos com a sociedade em que vive e com as que ele pode conhecer através dela.
           O hábito da leitura se concretiza cotidianamente, e o incentivo a essa prática é essencial para que os indivíduos tomem gosto em viajar nos livros. Acontece que aqui no Brasil, em pesquisa realizada pela segunda vez pelo Retratos da Leitura no Brasil (2008), na qual o principal objetivo era diagnosticar e medir o comportamento dos brasileiros quanto a leitura de livros, mas levando em conta também revistas, jornais, histórias em quadrinhos, livros digitais etc. A pesquisa era de caráter quantitativo de opinião, na qual os entrevistados foram visitados em seus domicílios a fim de responderem um questionário que visava conhecer o perfil dos leitores, e também dos não leitores a partir de suas opiniões , hábitos, preferências e práticas do dia a dia.
           A pesquisa mostra muitos dados, mas limitar-me-ei aos seguintes:
• Número de leitores: 95 milhões;
• Número de não-leitores: 77 milhões;
• Número de livros comprados: 1,2 livro por habitante/ano (o que dá 36,2 milhões de compradores de livros);
• Número de livros lidos (4,7 livros por habitante/ano).
(Fonte: Pesquisa Retratos da leitura no Brasil)
          Segundo Maria Antonieta Antunes Cunha, muitos dos entrevistados afirmam que não freqüentam bibliotecas, pois não estão estudando. Isso mostra que muitos relacionam a leitura com o fato de estar na escola por exemplo. Quanto ao ensino superior, a pesquisa ainda revela que o índice nessa parcela define o maior uso da leitura. E os dados não se esgotam.
           Preocupados em expandir o hábito da leitura, o Instituto Brasil Leitor conta com bases em vários estados brasileiros, com bibliotecas espalhadas em estações de metrô, de trem e terminais de ônibus, bibliotecas comunitárias. Eles atuam a dez anos nesse projeto, e visam cada vez mais atingir todo o território nacional.
             Essa explanação quanto à leitura no Brasil é apenas uma visão superficial que me propus a mostrar. As iniciativas quanto a pratica da leitura são importantes na medida em que elas ajudam a fomentar o conhecimento aos indivíduos, trazendo contribuições na formação cultural das pessoas. Entretanto, não basta apenas entregar um livro, mas criar medidas cabíveis quanto à importância desse hábito. É papel da sociedade como um todo difundir o conhecimento: tanto de pais, professores e o poder público. E quanto a nós acadêmicos, fica a dica de não nos enclausurarmos nas nossas torres intocáveis, e introjetarmos conhecimento para nós mesmos, o conhecimento tem que ser difundido, deve ser propagado! Enquanto a você, lhe desejo uma ótima leitura!

* Frase de Monteiro Lobato

Gláucia Santos de Maria


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Em defesa da verdadeira doutrina religiosa cristã, e suas violências populares no século XVI.


           O Cristianismo ao longo da sua história sofreu com a divisão de seus crentes. Desde o inicio não havia uma coesão entre os seguidores da filosofia de Cristo. É claro que isso só seria observado com mais preocupação, quando o cristianismo tornou-se a religião principal do ocidente e de algumas partes do oriente. O império Romano disseminou a religião cristã pelo mundo, apesar de por muito tempo perseguir a mesma. Mas, com adesão da nobreza romana, esta religião se tornou parte de Roma, tornando este o credo de um império, que mesmo após a sua queda, ainda sustentou a cultura romana, a partir de sua dominação dos povos que conquistaram o império. A Igreja cristã mantivera o rito romano. No entanto, não impedia que os convertidos tivessem percepções diferentes da forma de enxergar a Cristo. O cuidado com as heresias se iniciaria com uma perseguição contra aqueles que pregavam outras formas de conceber a religião cristã, diferente da passada pela igreja com sede em Roma. 
          O grande cisma do oriente, no século XI, iria dividir a cristandade em duas partes, Mas de toda forma, desde o período do império romano, quando Constantino fundou a cidade de Constantinopla, a igreja do oriente sempre manteve politicamente afastada da igreja do ocidente, e é claro que as duas possuíam divergências, que acabaram ocasionando esta divisão. A distância não afetou tanto as populações ocidentais, como seria afetada, quando fora difundida a reforma protestante no século XVI por Martinho Lutero. Por muito tempo a igreja ocidental, com sede em Roma, fora única com a divisão das igrejas do oriente e do ocidente. Pois antes era uma única igreja. Isso não quer dizer que todos concebessem de uma forma única os ensinamentos de Cristo. Havia outras formas de pensamento dentro da doutrina cristã, que eram combatidas. A reforma protestante é um exemplo de combate às arbitrariedades da Igreja católica, por ser a única denominação religiosa do ocidente. Esta privou a população européia de possuir o conhecimento, até mesmo a língua utilizada pelo rito religioso católico era o latim, que atrapalhava a compreensão dos fiéis, mas ajudava a igreja a dominá-los. 
         A reforma Protestante traria benefícios, como as traduções da bíblia nas línguas pátrias. O espírito humanista fluía nesse movimento, que buscava nos evangelhos a explicação. Por isso que os seguidores protestantes buscaram se alfabetizar para conhecer a palavra de Deus, para contrapor os católicos. A legitimidade religiosa logo foi buscada, os católicos referendavam sua existência aos apóstolos, enquanto os protestantes diziam falar a verdade dos evangelhos. Esse embate teórico ocasionaria muita violência e problemas sociais causadas por essa divisão. Na França eram comuns esses confrontos entre católicos e protestantes no século XVI. 
             A historiadora Estadunidense Natalie Zemon Davis, em seu livro Culturas do Povo, enfatizará essas temáticas, junto a outras. O principio de poluição religiosa será tratado no livro, como um dos objetivos das comunidades religiosas de se livrarem umas das outras, pois cada qual era acusada de estar poluindo a sociedade com uma heresia, que deveria ser exterminada. Um trecho de livro de Davis mostra como as duas facções religiosas conclamavam os seus fieis para defender o seu credo. A doutrina verdadeira pode ser defendida em sermões ou discursos e apoiada pela espada do magistrado contra o herege (DAVIS, 1990). A enfatização da espada demonstra o apoio das duas denominações religiosas para que a multidão, de forma dramática, partisse para violência. 
              E muitas violências seriam constadas na Europa, e principalmente na França, inclusive o massacre do dia São Bartolomeu que ficaria para história, como um dos atos mais terríveis empregados, em circunstancia desse embate religioso na Europa. Onde os católicos massacraram os protestantes de uma forma tão cruel, que não permitiram que estes pudessem contrapor. É claro que para ocorrer esse massacre, muitos outros conflitos sangrentos foram observados de ambos os lados, mas esse ficaria marcado para eternidade. 
             Discutindo a mentalidade desse sangrento massacre, Natalie Davis chegará à conclusão que em uma segunda abordagem vê tal violência como parte mais comum do comportamento social, mas a explica como uma espécie de produto patológico de certos modos de educação infantil, da privação econômica ou perda de status (DAVIS, 1990). Os levantes religiosos traziam a luta pela legitimidade religiosa no ocidente. Para os católicos, era muito mais do que isso, era uma busca para voltar a ter o domínio e os status que outrora tinha perdido com a difusão do protestantismo que diminuíra um pouco de sua hegemonia naquele século. Desse modo, isso explica um pouco os conflitos que aconteceram nesse período. 

Ronyone de Araújo Jeronimo

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O lixo nosso de cada dia é sobrevivência de muitos!

O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
(Manuel Bandeira)

É desesperador a falta de consciência e sensibilidade de nós brasileiros quando o quesito é o desperdício de alimentos. Sejam nas feiras livres, nos supermercados e até mesmo em casa, muitos alimentos são jogados na lata do lixo a todo instante e levados aos lixões ou aterros sanitários das cidades brasileiras. E enquanto muitos de nós não fazemos o uso correto no consumo de muitos alimentos, observando o que é necessário comprar para a nutrição, a Embrapa mostra em uma de suas pesquisas que o brasileiro joga mais alimentos no lixo do que consome. Isso é um absurdo! E por que a citação de Manuel Bandeira acima? Esta pode ser justificada.
Após assistir inúmeras reportagens sobre o assunto, me deparei no dia 30 de janeiro de 2012 com uma matéria exibida pela SBT no programa SBT Repórter apresentado por César Filho. Num dos diálogos que a entrevistadora fazia a um dos catadores de lixo, fiquei extremamente sensibilizada.  Foi mais ou menos desse modo que se estabeleceu o diálogo. A repórter perguntou ao trabalhador o que de mais valioso ele havia encontrado no lixão, e a resposta foi imediata, o mais precioso, sem dúvida, foi à alimentação. Sim, alimentação! Sabe quando vamos almoçar, jantar, e fazemos aquele belo prato e que quando não agüentamos mais jogamos no lixo sem a menor culpa? É justamente esse alimento que irá nutrir aquele homem e muitos outros juntamente com seus familiares. É duro falar isso, e muitos de nós nem sentimos o peso na consciência. É preciso ver um relato desses para refletir o quão egoístas somos e mais que isso, o quanto não damos valor ao que temos e desperdiçamos, sendo que isto é a sobrevivência de muitos. É de se debulhar em lágrimas diante de tanto descaso. Muitos deles não possuem alternativa mesmo, e tem de sobreviver daquilo que está disponível, no lixo.
Gostaria de compartilhar agora, outro relato sobre o lixão, ou melhor dizendo, o antigo lixão de Campina Grande desativado recentemente pela prefeitura da cidade paraibana. Em tempos em que ainda era estudante secundarista, uma ex-professora minha, disse que uma imagem ficará para sempre em sua memória. Ela nos relatava que em uma visita ao antigo lixão da cidade, com alunos do colégio em que lecionava, viu uma criança, uma menina que aparentava por volta de seus 5 anos de idade. Esta se encontrava suja e com poucas vestes. Quando o caminhão descarregou o lixo, ela imediatamente viu quando caiu uma maçã, e sem pestanejar, zás, pegou a fruta. E como se não bastasse, acreditando que iria retirar as impurezas da fruta no contato com o lixo, simplesmente a pegou com suas mãos, que assim como o seu corpo, estavam sujas, e a esfregou em seu tronco e a devorou. E esse fato nunca saiu da mente da professora que presenciou, e nem da minha que apenas ouviu o relato com tristeza.
Acerca de tudo o que foi abordado, fica um momento de reflexão para todos nós. Muitas vezes olhamos uma comida com desprezo e a julgamos não agradável ao paladar. Pensemos bem antes de jogarmos fora, pois se para nós não é boa, para muitos outros é a única sobrevivência.

Gláucia Santos de Maria




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O que explica a falta de engajamento da juventude brasileira no século XXI?



        Atualmente observamos que a juventude de nosso país anda perdendo cada vez mais o engajamento que outrora tivera. Parece até que tudo já está resolvido, que o Brasil se tornou uma maravilha, e que a corrupção não é mais um problema. Engana-se quem pensa dessa forma. O Brasil continua sendo um país com alto índice de corrupção na política e em outros meios públicos. A miséria continua firme afligindo os que estão à margem da sociedade, e o preconceito continua forte em todos setores da nossa sociedade.  E enquanto isso acontece, nossa juventude fica parada só observando, sem tomar nenhuma atitude, pensando não ter nada ver com os acontecimentos, pois grande parte está alienada por meios de comunicações, que mostram que juventude é apenas a idade da descoberta. Mas, qual seria essa descoberta? O sexo é a grande descoberta que a mídia tanto enfatiza, mas será que só é isso que nos resumimos?
            É claro que não, somos mais do que isso. A juventude é o inicio do amadurecimento do ser humano para a vida adulta. Então, que homens e mulheres teremos daqui alguns anos? Se continuarmos dessa forma, teremos adultos com mentalidades débeis, isso se já não temos hoje, pessoas que não sabem distinguir o obvio na sua frente. Esse é o mal dos jovens que não estão engajados, que não sabem protestar por melhores condições de vida, e que falam que política não os interessa. Mas acabam votando por paixões geradas por seus familiares, que seguem à risca o padrão das antigas oligarquias que se mantém vivas, justamente por causa da culpa dos jovens não serem politizados, como eram os jovens do período da Ditadura. É claro que a repressão ajudou em partes o jovem a se revoltar contra o sistema, já que esse era desprovido de sua liberdade de agir e pensar. Hoje há certa liberdade, graças aos jovens do passado. Porém, grande maioria dos jovens de hoje não procuram pensar, nem tão pouco agir.
            Essas transformações da nossa juventude têm sido paulatinamente influenciadas por vários meios, como os de comunicação, e agora, a grande influência são as redes sociais. Estas vêm transformando muitos jovens em reféns do computador através dos vínculos de amizades virtuais. No entanto, sabemos o quão importante é a socialização do ser humano com os outros indivíduos, e esses vínculos de interatividade não podem ficar apenas no campo virtual, pois é necessário um contato mais próximo para conhecer melhor a realidade, já que não dá para tomar conhecimento do descaso social tão somente enfurnado dentro de casa, mas sim, tendo o contato com tais dramas para ter consciência, e isso é algo que a juventude necessita para conhecer melhor os problemas que envolvem o seu município ou seu estado. Pois assim, tomando conhecimento dos problemas que assolam o seu centro, poderiam utilizar estas redes sociais como uma arma para mostrar o que está errado, e até mesmo para marcar manifestações contra as diversas injustiças, que o nosso povo anda passando. Ficar em casa compartilhando piadas, ou dor de cotovelos, não vai levar a nada. O negocio é se mexer, pois para se ter um país melhor, muito tem que se melhorar.

            O escritor francês Victor Hugo em sua brilhante obra “Os Miseráveis”, escrita no século XIX, dará destaque aos amigos do ABC, jovens republicanos imbuídos de defender os ideais da Revolução Francesa, que estavam sendo infligidas pela volta da monarquia e da família Bourbon ao poder da França. Essa juventude incita os demais a se rebelarem, mas a rebelião acaba fracassando. No entanto, isso mostra que uma juventude organizada pode derrubar um sistema. Por isso é preciso sair nas ruas e protestar. Algo que muitos dos jovens do século XXI não têm buscado por imaginar que seu país vive um momento de intensa valorização econômica, mas que ainda mostra uma divisão de renda muita injusta. Mas muitos destes não observam, por estarem de olhos fechados e caminhando rumo a um buraco sem fundo, e não tem noção que este caminho é perigoso.

Ronyone de Araújo Jeronimo



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O ser branco e o ser negro: como discutir essa questão?


Li esses dias uma matéria no qual a pedagoga Luciana Alves discute que quando falamos sobre questões raciais e o próprio racismo, pouco ou quase nunca se reflete o que ela chama de branquitude, e essa ausência, de acordo com ela, só faz disseminar o preconceito, e desse modo, estabelecendo que ser branco é ser superior. De acordo com Luciana Alves, as discussões em questão só tem sentido quando abordadas também  sobre o papel do branco na nossa sociedade.
Marilena Chauí, por exemplo, na sua obra intitulada: Brasil- mito fundador e sociedade autoritária há quem diga que sente orgulho em ser brasileiro, mas que diariamente, na vida real, diz que nordestino é atrasado, que as mulheres são burras, os índios são preguiçosos, os negros indolentes etc. Há quem fale também que se sente indignado  com a existência de crianças de rua, com as chacinas das mesmas; sendo que ao mesmo tempo, se revela uma sociedade que tolera e admite a existência de milhões de crianças sem infância, de crianças abandonadas. E mais, ainda que há um discurso propagado ao longo da história brasileira de que somos um povo ordeiro, e de que não existe pecado abaixo da linha do Equador e que por conta da miscigenação é que nos faz um povo rico em cultura e que não há discriminação racial.
Sobre a questão da miscigenação, pedagoga afirma que ela é uma temática bastante discutida, mas o que realmente fica oculto, é que por trás desse debate há uma maior propagação do preconceito, que como o mito, só faz atualizar o racismo. De modo a enfatizar como positivo o “ser branco”, em detrimento da negatividade de “ser negro”.
Em sua pesquisa, ela verificou que ser branco é não ser negro, e daí percebemos a carga discriminatória da qual a pedagoga percebeu segundo o ponto de vista de um de seus entrevistados.
O ser branco é tido como uma norma padrão da sociedade brasileira. E é possível ver essa questão, quando em consultas do censo somos questionados quanto a nossa cor de pele. Muitos afirmam: sou branco! Ou seja, é norma, é padrão!
Dada essa dificuldade, a pesquisadora sente a emergência de que quando abordados as questões referentes ao racismo é importante levarmos em conta que tem de ser discutidos ambos os lados: os negros e os brancos. Pois fica realmente difícil nos martirizar sobre o papel do negro visto como negativo, sem apontarmos de fato, como essa negatividade fora implantada pelos brancos. É necessário refletir sobre essa branquitude que fora se instaurando e tomando forma, mas que ninguém ousa debater, por ser visto como natural. Tendo em vista que ao falarmos de ser negro, deixamos de lado o debate de ser branco e perpetuamos assim o racismo!
É prioritário refletir essas questões!

Gláucia Santos de Maria

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Será realmente que o certo não seja o errado?

Aleatoriamente costumamos reproduzir nossos costumes a partir da sociedade na qual vivemos. Desde pequenos observamos como a sociedade se expressa à nossa volta, e depois tentamos ao longo do nosso desenvolvimento intelectual, agir da forma pela qual aprendemos, para nos inserirmos no padrão que é imposto. É claro que desde a infância a busca de nos introduzirmos em determinados grupos de amizades é algo muito valorizado. No entanto, a partir do momento que você faz parte de um determinado grupo, o individuo inserido em certo ciclo de amigos, tem que agir de forma semelhante aos membros que fazem parte deste grupo. A não adaptação logo exclui o membro que não possuir as características fundamentais que cada grupo tem. As opiniões de cada ser humano não são iguais, porém, um grupo formado de um ciclo de amizade, preza pela semelhança de opiniões, para não haver atritos. É ai que aparece o assunto a ser explorado: costumamos fazer determinadas coisas que para uns é certo, mas para outros é errado.
            Um bom exemplo para discutir o certo e o errado é a guerra, há vários tipos de pontos de vista. Por exemplo: o lado A defende a sua verdade e o B também defende a sua. Lados opostos, mas que emitem opiniões semelhantes. No entanto não admitem que prezem pelas mesmas qualidades, e sim buscam mostrar as diferenças que separam um do outro, para gerarem a inimizade que precisam para ocorrer um confronto de ideologia, que é necessário para execução de uma guerra. Pois, a defesa de interesses sempre está contida nesses conflitos, da mesma forma que dentro dos grupos de amizades existem hierarquias que nos fazem promover atos vexatórios a outros indivíduos, que só não faríamos, por não haver da parte do individuo agressor nenhum interesse, que só torna interessante por causa do apoio de um grupo de amigos. O interesse do grupo está em jogo para mostrar sua força diante de outros grupos. E isso está visível em todos os cantos que regem a sociedade: no trabalho, no esporte e principalmente na escola, onde a exclusão de ciclos de amizades por parte de um individuo pode ser acometido pelo bullying. Um assunto muito discutido na atualidade, mas ainda muito complexo. Por haver inúmeras formas de explicar esse assunto.
            Sobre a temática do certo e o errado, em entrevista ao Café História, o filósofo Eduardo Jardim quando perguntado sobre a obra “Eichman em Jerusalém” de Hannah Arendt, dirá a partir da sua percepção sobre a obra que:
“Ela levantou, então, uma hipótese a respeito da existência de um vínculo entre a incapacidade de pensar e cometer o mal. Indagou: haverá na própria atividade de pensar alguma coisa que previne de fazer o mal?”
Dessa citação destacamos que a sociedade tende a moldar o caráter do individuo que está inserido em sua formação, os pensamentos e atos são frutos do seu sistema. A visão de Hannah Arendt, dada pelo filósofo Eduardo Jardim, nos proporciona entender, que os soldados nazistas e também o povo alemão, não agiam de forma premeditada por eles, e sim pelo sistema que conclamava as diferenças e o preconceito, dando conta de uma raça superior. Dessa forma, sob influência de uma força alienadora produzida pelo Estado presidido por Hitler, fora possível criar uma massa insensata, controlada pelo Estado nazista. Algo que ocorre parecido nos grupos, pois o líder sempre tem autoridade sobre os outros, e estes tendem a obedecer ao líder, pois tomar o lugar de um líder é difícil, tendo em vista que o mesmo tem que possuir carisma para exercer sua liderança e controle sobre outros indivíduos.
            Continuando na mesma perspectiva nazista, e para interpretar de que forma atua o certo e o errado na sociedade em geral, destaco o filme “O Menino do Pijama Listrado” do diretor Mark Herman. O mesmo conta a história do menino Bruno que é filho de um comandante de um campo de concentração para judeus. Bruno tem seu pai como um herói, no entanto o mesmo em sua mentalidade de criança observa ao longo do filme que, talvez seu pai não seja realmente o herói que imaginava. A imposição da ideologia nazista não é absolvida pelo protagonista do filme, que se torna amigo de um menino judeu, que conheceu a partir de sua exploração do ambiente em que vivia. O seu laço de amizade vai além da sua sociedade, e a sua inocência é capaz de interpretar o que é realmente ser ético, enquanto seu pai comete atos que não são considerados certos, mas o regime no qual estava inserido achava necessário, e ele cometia o mal em razão de uma força superior, o Estado. A descoberta da realidade por parte de uma criança que fora exposta a uma ideologia, mas que colocada em uma balança do que era certo ou errado, para este individuo, preferiu se deter a igualdade que ele tinha com seu amigo judeu, que vivia perto, no entanto longe, por causa de uma imposição.
            Determinar o que é certo e o que é errado é uma tarefa difícil. Será que realmente existem essas duas formas de proceder? Fica em vista que é o padrão de uma determinada sociedade que demarca essas ocasionalidades, e divergem, pois o certo pode tomar caminhos inesperados, como os exemplos citados, e é o que vale também para o errado. A realidade dos grupos aumenta ainda mais as variedades de formatações que esses podem assumir. O certo pode ser o errado, e o errado pode ser o certo, o caminho quem escolhe é o ser humano, no entanto, este precisa questionar a sua sociedade para ter noção do que realmente significa essas simples palavras.


Ronyone de Araújo Jeronimo

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Quem foi que disse que a mulher é inferior?




Estamos cansadas de ouvir piadas machistas sobre nós mulheres como: “Lugar de mulher é na cozinha pilotando fogão”! Ou aquela do tipo: “A maneira mais cara de ter louça lavada de graça é casando”. Esses são apenas alguns exemplos de como as mulheres são tratadas e apontadas pela sociedade, que de maneira preconceituosa alguns homens nos acusam de sermos inferiores diante da suposta “superioridade” masculina. Mas só os homens são machistas? Que nada! Há muita mulher por aí que age dessa maneira.  Sempre tem uma mãe, uma tia, uma avó que diz: “Filho deixe que sua irmã ou eu, arrume sua cama, afinal, isso é tarefa de mulher”.
Esse preconceito generalizado, tanto por homens e até mesmo das próprias mulheres, tem seus motivos, e ele fora implantado em nossa sociedade e em muitas outras em um período histórico muito remoto. Quem nunca ouviu dizer que a mulher é o sexo frágil?  Diante das diferenças físicas entre homens e mulheres, julgou-se que o corpo feminino devido sua fragilidade perante o masculino, fizeram com que estas fossem vistas como inferiores. A partir de uma visão de caráter biológico, criou-se a idéia de que as mulheres fossem intelectualmente inferiores aos homens. Desse modo, o gênero feminino fora visto (e em muitos casos ainda são!) como incapaz de cuidar dos negócios da família, do seu próprio corpo... E a partir daí, estas passaram a ser submetidas aos mandos e desmandos da classe masculina.
Não podiam sair de casa sozinhas, se vestir como quisessem, de trabalhar, votar e serem votadas. Suas vidas eram limitadas aos afazeres domésticos e no cuidado da família. Acerca disto, Mary Del Priore, cita em sua obra Histórias Íntimas- Sexualidade e Erotismo na História do Brasil (2011), que em artigos publicados na revista Ele & Ela (1969), enalteciam esse papel feminino limitado a vida doméstica, e diziam o seguinte:
“A mulher deve ser fêmea e assumir sua condição. Deve ser bonita, desejável, deve ser mãe. Deve cuidar da casa e dos filhos e esperar o marido de volta do trabalho bem disposta e arrumada. É exatamente para isto que ela existe. E, longe de diminuí-la, isto só pode engrandecê-la. Afirmar que tudo isso leva o sexo feminino ao aniquilamento intelectual e à submissão, é desconhecer as possibilidades da tecnologia atual. A verdade é que sempre sobra tempo para ler, para escrever, para pintar, sei lá, para criar. Isto é até um privilégio, pois nem sempre os homens dispõem deste tempo”.
Mas estas permaneceram ainda submetidas a estes tratos? Lógico que não!
Com o decorrer do tempo, após muitas reivindicações, as mulheres foram conquistando seu espaço e liberdade. Mas essa liberdade era tida como sinônimo de libertinagem, pois era vista como pecado diante da ordem social pautada na passividade dessas por muito tempo. Mas de que forma isso acontecia? Tomemos um exemplo. A mulher que decidia por separar-se era excluída pela sociedade. E mulher infiel? Infidelidade masculina ainda era aceitável, pois havia (e ainda há hoje!) um discurso que dizia que o homem possuía um impulso inerente, inato, segundo o qual ele não podia mudar! E isso justifica alguma coisa? Que hipocrisia. Mas se mulher trair é tida como um mal social, e deve ser posta as margens da sociedade que prima pelos “bons costumes”.
Em 1912, a valente Sylvia Pankherst fora saudada por sua coragem de discursar num bairro operário da cidade de Londres. Juntamente com a mãe Emmeline e a irmã Christabel, ativamente lutaram para que as mulheres pudessem votar na Inglaterra. E essa conquista ocorreu no ano de 1928 após muita persistência. Aqui no Brasil, tivemos várias ativistas que reivindicavam seus direitos. Com a ascensão da República, surge uma figura que fora uma das primeiras a reivindicar o voto feminino e pela emancipação social da mulher: Josefina Álvares de Azevedo. Em meados ainda de 1888, ela fundou o primeiro jornal feminino na cidade de São Paulo, que em suas páginas além de lutar pelo voto feminino, buscava uma melhor educação voltada para as mulheres, no qual estas desenvolvessem as suas capacidades de não apenas exercer funções da família, mas direitos de participarem de funções importantes do Estado.
Diante desses fatos, percebemos que essas mulheres foram exemplos de luta e protesto diante da repressão implantada fortemente na sociedade, e se antes estas se conformavam com a situação em que viviam de submissão, passam a reivindicar com unhas e dentes por seus direitos.
Acerca do que foi mencionado, é fato que homens e mulheres são diferentes quanto ao aspecto físico, mas isso não justifica dizer que estas são inferiores intelectualmente, ou que elas devam estar restritas aos afazeres do lar. Se pararmos para pensar, a inteligência de ambos os sexos é a mesma, o que pode ser decisivo, são as oportunidades que cada um terá de conquistar para aplicar suas capacidades. Com o avanço da tecnologia, por exemplo, dispensa-se o uso da força física masculina em alguns casos, e o que se exige na verdade, são as competências intelectuais, e isso tanto homens, quanto as mulheres possuem.
Mas a conquista feminina para por aí? Claro que não. A descoberta dos anticoncepcionais garantiu que estas pudessem fazer um planejamento familiar. Tendo em vista que em décadas passadas, eram impulsionadas para serem meras procriadoras. E vale também ressaltar que o prazer sexual antes restrito apenas ao homem, passa a ser sentido pela própria mulher, antes visto como pecado, mas que apesar disso tudo, muitas ainda se subjugam com medo de ir para o inferno, de acordo com alguns preceitos religiosos. Mas isso é uma questão que também deve ser relativizada.
E no quesito profissão? Encontramos mulheres que são advogadas, médicas, engenheiras, presidentes de países. Entretanto, ainda lutamos por melhores salários. Pois mesmo que muitas exerçam a mesma profissão que um homem, ainda assim, recebem salários inferiores em alguns casos. E mesmo que tenhamos alcançado várias conquistas, percebemos ainda que o preconceito é emergente contra as mulheres, e que há muito a melhorar.
Quando batemos na tecla por “igualdade”, muitos acham que queremos ser superiores aos homens. Pois se assim fosse, os papéis apenas mudariam: mulheres superiores e homens submissos. Creio que isso não faz sentido. A luta é pela igualdade de direitos que assim como os homens os têm, nós queremos e exigimos também: igualdade de direitos garantidos. Não se trata de superioridade, é uma questão de justiça, de dignidade!

Gláucia Santos de Maria

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Canibais: por necessidade ou fanatismo?



Quando pensamos no termo canibal, logo fazemos referência a indivíduos que se alimentam de seus semelhantes. Algo que quando ocorrem entre nós, seres humanos, tratamos como um ato doentio, de uma pessoa desprovida de juízo que, incorporado por um desejo animalesco, comete esse ato dito irracional, que antes fora considerado como prática de povos não civilizados.
Esta prática fora uma das causas para que os ocidentais se apropriassem de espaços já habitados que, segundo estes, tais sociedades possuíam culturas atrasadas, que se assemelhavam aos nossos primeiros ancestrais humanos. É claro que os europeus não tinham essa noção de evolucionismo no século XVI que só seria produzida no século XIX. Segundo a qual, cada sociedade teria de atravessar etapas evolutivas que iam desde a selvageria, passando pela barbárie até atingirem à civilização, vista como o patamar mais elevado da humanidade, onde se encontrava a sociedade europeia. Mas, possuíam a criacionista em que se baseavam e submetiam esses povos que não possuíam fé (segundo os europeus) e andavam nus.
Quando nos remetemos à fé, logo direcionamos nosso olhar ao nosso país Brasil, onde o cristianismo católico fora determinante em nossa colonização. De acordo com os que aqui chegaram os nativos que habitavam nosso território não estavam no padrão, dos preceitos de fé advindos da Europa. A cultura xamanista que reinava no Brasil antes da colonização portuguesa, não poderia ser atribuída como fé, segundo a visão portuguesa baseada em preceitos cristãos, nas quais os nativos não possuíam.
Alguns relatos europeus de antropofagia no início da colonização sobre o Novo Mundo deram conta de se criar sobre os povos indígenas da América um estigma de um continente que vivia na barbárie, propiciada por seus nativos, que não podemos considerar que fossem na sua totalidade antropófagos. Mas, esquecem que os próprios europeus já provocaram espetáculos monstruosos, em decorrência da fé. Até mesmo se permitindo a cometer atos canibais, que foram esquecidos pela história ocidental.
Esses fatos são trazidos à tona pelo escritor Libanês Amin Maalouf, que a partir da apropriação de crônicas e de relatos históricos do período das Cruzadas, tivera a possibilidade de escrever a obra intitulada “As Cruzadas vistas pelos Árabes”. Trazendo a perspectiva árabe sobre os acontecimentos que ocorreram em circunstância do fanatismo religioso cristão.
Um fato inserido na obra de Amin Maalouf, que nos chama atenção, é um acontecimento ocorrido na cidade Síria de Maara, onde os relatos árabes darão conta de atrocidades cometidas pelos franj, (forma pela qual os árabes denominavam os ocidentais, em circunstância das cruzadas) que provocariam o temor em todas as cidades árabes que ficavam no caminho de Jerusalém, que era o principal objetivo dos ocidentais, a retomada da cidade santa, que estava em posse dos árabes que não compartilhavam da religião cristã, e sim da ascendente religião Mulçumana, que no século XI já aspirava um risco para os ocidentais. Um perigo que escondia por parte dos ocidentais, uma tentativa de se expandirem pelo oriente, utilizando-se de uma famigerada guerra santa.
Guerra esta que não explica as atrocidades que ocorreram em Maara. Já que os ocidentais agiram de forma cruel contra uma cidade rendida, que não possuía um exército, apenas uma milícia, e que não se atreveu a enfrentar o grande exército franj, se apegando na palavra de um notável franj, Bohémond, que assumira o poder em Antioquia e garantira que a população de Maara não seria incomodada. No entanto, em razão da invasão ocidental, a população dessa cidade Síria seria trucidada, e serviria até como alimento para esses fanáticos, que agiam de uma forma nunca vista antes. No qual é relatado pela obra de Amin Maalouf, em que os ocidentais aterrorizavam, clamando por carne sarracena. E relatos ainda dão conta que a população adulta de Maara era cozinhada em caldeiras, enquanto que as crianças eram grelhadas no espeto.
Em razão desse acontecimento monstruoso ocorrido em Maara, há de se perguntar se o que aconteceu se deve em razão de sobrevivência, que fora abalada por alguma circunstância física que os ocidentais foram infligidos. Como fora evidenciado na obra de Maalouf, em que os chefes dessa carnificina afirmarão em uma carta ao papa no ano seguinte do ocorrido, que uma grande fome assolou o exército franj, e que acabou resultando nesse fato. Ou por razão de fanatismo, quando em uma frase de um próprio cronista Franj Albert de Aix que esteve na batalha, fez cair por terra esse argumento de sobrevivência, quando o mesmo relata: “Os nossos não repugnavam em comer não só a carne dos turcos e dos sarracenos mortos como também a carne dos cães!” (Maalouf, 2001, p. 47). Esta frase dotada de crueldade mostra outra face do que possivelmente ocorrera em Maara.
Esse acontecimento teve inicio em 11 de Dezembro de 1098. Quase quinhentos anos depois, os europeus se impressionavam com relatos trazidos do Novo Mundo, nos quais eram destacados que os nativos da América eram canibais. Sem nem mesmo buscar entender por que estes agiam dessa forma (se por prazer de se alimentar ou se tinha alguma explicação lógica), os julgavam desta maneira, estigmatizando-os. Sem levar em consideração que os próprios europeus, em razão das cruzadas, sem lógica alguma, apenas pelo fanatismo religioso, praticaram canibalismo. O que poderia explicar esse fato era que: os europeus agiram dessa forma para mostrarem que os muçulmanos não eram seus semelhantes, pois os mesmos não compartilhavam do mesmo credo.
Uma frase de um ilustre poeta que nascera em Maara, que possuía o nome de Abul-Ala AL-Maari, que vivera antes desse acontecimento, resume o que pode levar o ser humano a agir dessa forma dita irracional: “Os habitantes da terra dividem-se em dois grupos. Os que têm um cérebro, mais não têm religião, e aqueles que têm religião, mas não têm cérebro”.

Ronyone de Araújo Jeronimo



sábado, 3 de dezembro de 2011

Ciências Sociais



Amigos, familiares e colegas (mesmo da universidade), vez por outra pergunta o que é ciências sociais? Ou o que faz um cientista social?
Ah sei, você vai ser assistente social... Não!!!
Dada à dificuldade do que é ou o que faz, é necessário por vezes, fazer um discurso longo sobre o que serei daqui a alguns anos, tendo em vista que estou em formação...
Grosso modo, podemos dizer que a área das ciências sociais se subdividem  em três, tais sejam: antropologia, sociologia e ciência política.
Na Antropologia pode-se estudar a origem, os costumes do homem e das culturas.  Nomes como Lévi-Strauss, Mauss, Morgan, Radcliffe-Brawn, dentre outros, serão vistos na disciplina em questão.
Na Sociologia, investigam-se as relações, as estruturas e a dinâmica das sociedades modernas, analisando os processos históricos de transformação das organizações sociais. Autores como Durkheim, Weber, Bourdieu e o próprio Karl Marx, contribuíram com suas ideias na área da Sociologia.
Na Ciência política, analisam-se os sistemas, as instituições e os partidos políticos de um país e as relações entre as nações. Bem como abrange assuntos relativos às políticas públicas e etc. Figuras como Bobbio e Gramsci, terão destaque na ciência política.
Atuando como professor ou enveredando no campo da pesquisa, percebemos o quão vasta é a carga e aporte que os cientistas sociais podem atuar na área que optar.
Decidir por ser cientista social é um grande desafio. Pois é necessário reservar, horas e horas de dedicação junto aos livros. Então, tem que gostar de ler! Mas é um prazer enorme poder usufruir e estar constantemente dialogando com os autores, que procuram através de suas teorias explicarem no cerne da vida humana, como as coisas realmente são.
Pena ainda que o curso não tenha o reconhecimento que tanto merece. São anos e anos, livros e mais livros, sem contar nas apostilas, no curso da graduação e na pós, doutorado... são horas de dedicação que mereciam uma melhor atenção dos “nossos dirigentes”.
O que mencionei sobre a função social do cientista social, é apenas uma pequena parcela do que realmente são as Ciências Sociais.
O barato de ser cientista social é poder estar no mundo e questioná-lo, é imaginar o quão podemos fazer de melhor a partir das teorias que lemos, é saber a dimensão da responsabilidade que temos diante dos nossos olhos, e que de certo modo, nos escapa das mãos. Mas que constantemente estamos à procura de respostas de como se dá a lógica social em meio aos seus múltiplos aspectos.
O Cientista Social nunca está satisfeito, é um eterno estudante, à procura de conhecimento. Ser cientista social é estar no mundo, questionar esse mundo, e procurar saber as razões pelas quais fazemos parte dele. É vida, é social, é cultural.

Gláucia Santos de Maria