sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Proclamação da República no Brasil: cidadania popular?

              
               Em 15 de Novembro de 1889 era proclamada a República no Brasil, e com isso era destituído do poder o Imperador D. Pedro II. A realeza deixaria o lugar aos plebeus, que daquele momento em diante seriam os responsáveis pelo destino da Nação. O povo observava “bestializado” os acontecimentos que acarretaram o fim do Império. Era difícil de imaginar que um dia antes o Imperador D. Pedro II, governava com amplos poderes o Brasil. Nada como um dia após o outro para vermos transformações imediatas. A República construiria um novo Brasil imbuído sobre ideal progressista e reformador, que tiraria o país da “inércia” que vivia. Nosso primeiro Presidente seria o militar Deodoro da Fonseca, e nas mãos desse primeiro plebeu a governar o Brasil, mudanças deveriam ser efetuadas para o desenvolvimento da Nação.
            Essas mudanças afetariam o povo, que constituía a Nação Brasileira. No Império o povo não possuía participação, já que o Imperador era o senhor do destino do país. Já no regime Republicano o povo ganharia participação nas decisões da sua Nação, e deixava o anonimato para se tornar cidadão. No império, ser cidadão segundo o pesquisador José Murilo de Carvalho, era necessário comprovar renda para exercer a cidadania, assim, ser cidadão no período imperial no Brasil, era privilégio de poucas pessoas. Na República isso iria mudar, “todos teriam direitos iguais”, (ricos e pobres teriam direito ao voto e a serem votados), exceto os menores de 21 anos, as mulheres, os analfabetos, militares e clérigos. O que ficou em parênteses explica bem o sentido real expresso pelo regime Republicano no Brasil, em seus primeiros anos. A comprovação de renda não era mais necessária para ser cidadão, porém, esse deveria está dentro dos pré-requisitos que o regime republicano queria.
            A República no Brasil igualmente ao Império também seria exclusiva. Dentro da obra de José Murilo de Carvalho “Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República que não foi.” (1987) Podemos observar como essa exclusão era perceptível dentro da sociedade brasileira. O Rio de Janeiro seria uma prova da manutenção do poder dessa prática. Um ano após a proclamação da República no Brasil, surge a primeira oportunidade do cidadão republicano exercer sua participação dentro dos interesses políticos da nação. Em uma cidade onde o número de eleitores em potencial chegavam a mais de 500 mil, é verdade que diante dos pré-requisitos impostos pelo Regime Republicano no Brasil, esse número se resumiria há um pouco mais de 100 mil eleitores. Porém, o número de cidadãos que foram as urnas não passou de 12 mil pessoas.
            O número baixo de pessoas que foram as urnas alertou o novo Regime de uma apatia política advinda dos moradores da Capital brasileira que acabava englobando toda sociedade no geral. Já que no decorrer dos anos essa apatia nas eleições não mudava, e uma explicação que pode ser retirada desses acontecimentos. É que o povo sabia que igualmente como no período imperial, a República no Brasil não daria espaço para os cidadãos menos abastados. Os cidadãos da elite Brasileira que já se faziam ser ouvidos no Regime Imperial, na República esses seriam os detentores dos destinos do Brasil.
 E para manter essa autonomia, dentro do novo sistema, nos dias das eleições, os candidatos andavam com assassinos conhecidos e capoeiras, isso provocava no eleitor um sentimento de medo, que mesmo que o eleitor não se intimidasse com essas figuras que geravam temor para exercer seu voto, ainda haveria as fraudes eleitorais. O povo então quis se manter distante da política. Segundo o pesquisador José Murilo de Carvalho. “O povo do Rio, quando participava politicamente, o fazia fora dos canais oficiais, através de greves políticas, de arruaças, de quebra-quebras”. (Carvalho, 1987, p.90) O povo da capital do Brasil era político, a elite que tinha o poder é que não permitia o povo de exercer a sua cidadania.
A República no Brasil era algo novo, era compreensível esse primeiro momento de afastamento do povo. Se no Rio de Janeiro era dessa maneira, é imaginável como não seria nas outras regiões do País. A novidade da República assustava algumas pessoas. Esse foi o caso da Revolta de Canudos, já que a figura do imperador para as pessoas humildes do povoado de Canudos, no sertão da Bahia, era sagrada, igualmente a figura de Jesus Cristo. Algumas medidas que surgiram junto com a República, além de derrubar a figura sagrada para esse povo, também afetariam tradicionalmente os costumes da população que formou o povoado de Canudos. Revoltado contra o afastamento da Igreja Católica do Estado, e com sua própria miséria, surgiria o povoado de Canudos que logo ganhou muitos adeptos, sobre a liderança de Antônio Conselheiro, um Messias da Monarquia, para os republicanos.
Esse povoado entre 1893 a 1897 assustou as autoridades Republicanas do Brasil. Suprimida por uma grande investida militar, após alguns fracassos a República venceu os conspiradores da Monarquia. O povo se mostrava contra a República, por essa agir autoritariamente nas suas tradições e no seu cotidiano. Os acontecimentos ocorridos no sertão da Bahia seriam evidenciados na capital brasileira. A Revolta da Vacina no ano de 1904, não foi apenas uma revolta em função da obrigatoriedade de todos serem vacinados. E sim pela forma autoritária que o Governo agia com os cidadãos menos abastados, vacinando a força, após deixar muitas dessas pessoas sem moradia, com a reforma urbana da cidade do Rio de Janeiro. O que esperar da vacina obrigatória da República?
O povo então se manifestava quando eram afetados drasticamente, os movimentos surgiam quase revolucionariamente, assustando a Elite e a República. O fato de se abster do voto não queria dizer que o povo, não era político, e sim que este estava descontente com os rumos do novo regime. A democracia pregada pela República não era tão acolhedora para o Povo. Deve ser por isso que o povo acompanhou “bestializado” a Proclamação da República. Imaginando que o novo regime não mudaria sua condição de vida como era enfatizado pelos republicanos, não momentaneamente, como se dizia. As transformações só surgiram com os movimentos sociais, que ao longo da história vem moldando a República no Brasil.

Ronyone de Araújo Jeronimo

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Redução da maioridade penal: seria a solução?


Queria falar de uma coisa que vem me inquietando há algum tempo: a redução da maioridade penal. É um tema que vem sendo bastante discutido entre diversos setores da sociedade, e sobre ele falarei, mediante uma situação vivida por mim. Recebi há alguns dias, links sobre uma petição que visa recolher uma quantidade de assinaturas a ser enviada ao Congresso Nacional para que seja votada “redução da maioridade penal para 12 anos de idade[1]”. 
           O texto da petição segue dizendo:
Menores que matam, roubam, estupram, traficam drogas, dentre outros crimes, são considerados inimputáveis. Se eles têm capacidade para praticar todo e qualquer tipo de delito, que respondam por suas ações.
Os argumentos da referida petição continuam seguindo a mais essas palavras:
Senhores parlamentares, pedimos que seja votada a redução da maioridade penal para 12 anos de idade. Pedimos a criação de estabelecimentos prisionais próprios para criminosos na faixa etária de 12 a 14 e de 15 a 18 anos de idade.
        Certo, vamos criar novos estabelecimentos prisionais apropriados para esses “criminosos mirins”, mas de que maneira? Sobre isso, ainda não encontrei nenhuma resposta. Fico pensando como seriam esses estabelecimentos... Muito dos argumentos que ouço a respeito dessa questão é, muitas vezes, em alusão ao sistema criminal de outros países. Mas será que o Estado brasileiro está preparado, será que ele tem condições de criar estabelecimentos que “ordenem”, disciplinem e ressocializem esses "jovens delinquentes"? Temos como implantar um modelo prisional de fora, em condições culturais tão discrepantes da nossa? As coisas não funcionam tão efetivamente quando são colocadas em prática, no discurso possa ser que sim, mas na realidade...
            O sistema prisional brasileiro, por exemplo, está fadado, é uma instituição falida, não garante condições de ressocializar ninguém (pelo menos é o que alguns estudos mostram), e os exemplos não faltam. Como querer que um indivíduo se “regenere” se ele não tem condições mínimas de higiene (o vaso sanitário às vezes é apenas um buraco no chão), péssimas condições alimentares, celas abarrotadas... Diante de tais problemas enfrentados dia a dia, em que a ociosidade também é constante, por falta de atividades, e o contato com os outros de “fora”, da sociedade “ordeira” são feitas a partir de procedimentos de revista que, mesmo que considerados legais, por vezes ultrapassam os limites dos direitos humanos, em que mulheres agacham-se três vezes de frente, mais três de costas diante das agentes sob o constrangimento de muitas vezes não conseguir visitar seu ente diante de suspeitas, e longas filas de espera. O que esperar do futuro?
            Uma coisa é o que a lei diz, o que a sociedade fala e o que realmente acontece na realidade dessas instituições. Será que nosso Estado, será que nossa sociedade realmente está preparada para reduzir a maioridade penal? Será que tal redução é garantia de diminuição da violência? Será que o sistema brasileiro tem condições de receber de volta esses indivíduos a “sociedade civilizada”? Se o Estado é pensado como “responsável” em garantir condições sociais, mas não as efetiva na realidade, como um indivíduo desses pensará desse Estado? Logicamente o verá como um inimigo, tendo em vista que as condições precárias no sistema prisional brasileiro, não possibilita que este tenha condições mínimas de dignidade humana, pois todos, independente do que fez, têm direitos[2].  O que dirá da construção de estabelecimentos para menores? Será que temos condições de sustentá-los com as mínimas condições? Ou seria apenas um depósito de menores infratores? Quem é que sabe...
             Por fim, a minha atitude em refletir sobre essas questões não é a de defender infratores, ou qualquer outro nome que desejam usar para se referir as pessoas que comentem crimes, minha intenção é para que possamos pensar até que ponto podemos ser tão presunçosos a ponto de termos a solução final para os problemas da criminalidade do Brasil. É preciso que pensemos sobre nossa sociedade, nossa cultura, refletirmos nossos problemas e encontrarmos condições que possam ser “efetivas” a partir do nosso contexto. Pois o que dá certo em outros países, talvez não se modele a nossa sociedade. Temos que pensar em nossa estrutura social, nos nossos limites e virtudes, pensar em políticas públicas, no próprio ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) para assim (não só com isso), podermos encontrar meios que possam ao menos mitigar certas problemáticas, mas isso exige esforços ao longo prazo, não é do dia para o outro. [Bom, quero ver no que isso vai dá. Estou aguardando o final da petição].

Gláucia Santos de Maria

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Vico e a “Ciência Nova”: contribuições para o saber histórico


            “Um verdadeiro historiador é aquele que consegue uma relação afetiva com o passado, mas ao mesmo tempo, manter certa distância dele”. (SALIBA, 2003, p.285). A opinião de Vico é que o historiador deveria analisar as fontes, mantendo uma relação com o passado, e ao mesmo tempo se distanciando deste, para não criar um diálogo em que o presente influenciasse o passado. Esta é uma colocação bem avaliada, pois o distanciamento do historiador com as relações do passado impedem, que o mesmo fique alheio do presente ou que o mesmo coloque o presente no passado. Pois na opinião do filósofo italiano Giambattista Vico, a História seria uma ferramenta, que possibilitaria aos homens compreender como se deram as construções das mentalidade humanas, ao longo do tempo, e o modo que as figuras do passado se articulavam no presente. Sendo assim, a História seria então, um dos estudos da humanidade, desde suas primeiras concepções humanas.
            Giambattista Vico é considerado um precursor da história, e um homem acima de seu tempo. Pois criar uma obra, em um período hegemônico das ideias cartesianas[1], a qual a história era qualificada como criadora de fábulas que inventavam o passado, dando a mesma um caráter lendário a qual supostamente apresentaria o passado o mais fantástico do que realmente fora.  Esse pensamento se dava pelo fato das ideias empiristas[2] dominarem o cerco da razão. As ciências naturais dominavam o pensamento do século XVIII, definiam a racionalidade do pensamento, pois a mesma bebia da exatidão, que a história não possuía. Assim, a história era colocada como um estudo estéril, sem pouco valor de se estudar. Esse pensamento será combatido por Vico em sua obra “Ciência nova” de 1725, na qual o mesmo trará a história como uma nova ciência que deveria ser estudada e apreciada. Pois a história poderia revelar as relações humanas, já que a ciências naturais enfatizavam o pensamento cartesiano, que buscava no estudo de um objeto desconhecido, que não fora criada pelo homem, e sim pelo divino. Que o homem poderia entender o divino e execrar o conhecimento de suas próprias criações, a qual, a história revelava.
            A Obra de Vico, Ciência nova, não tinha somente a intenção de derrubar o pensamento cético de Descartes e de seus seguidores, sobre a história, e sim contribuir com argumentos que poderiam modelar a percepção sobre as atividades históricas. O estudo da antiguidade será fundamental para Vico ao discutir as articulações e características das civilizações que modelaram o pensamento humano. Tanto que o primeiro capítulo do livro Ciência nova dialogara com as fontes que constrói o mundo antigo, dos Caldeus aos Romanos. Vico trará desse primeiro momento de sua obra os mitos e os rituais que primitivamente moldaram os homens. E construíram a fantasia, que veste o nosso sentido de passado. Pois é a partir das interpretações das linguagens e dos mitos, que podemos entender as sociedades. A fantasia, no sentido a qual Vico buscou explicar, era no sentido de entender as primeiras relações que davam origem as tradições, que criavam os deuses e os heróis.
            De acordo com Vico a partir do momento que conseguimos desmontar mentalmente nossa visão do passado, conseguimos aspirar ao conhecimento “verdadeiro”, ao qual ele ressaltava que o historiador deveria agir, para que o mesmo não criasse uma familiaridade com o passado. Dessa maneira Vico destacava que o homem não possuía uma só natureza, diferente de Voltaire que acreditava numa universalidade da natureza humana, dando a humanidade um caráter único, discordado por Vico, que dizia que o homem não possuía natureza e sim história, e por isso que os homens deveriam entender os sentidos que formavam a história. Partindo desse pensamento, Vico formulou a história ideal, umas das principais contribuições criadas pelo filósofo, que buscava entender a História da humanidade. A história ideal possuía idades que formavam a humanidade, eram constituídas por três idades. Idade dos Deuses, dos heróis e dos homens.
Essa exemplificação das três idades criava uma teoria cíclica para história, onde a razão caminharia junto à irrazão. Pois a história não consiste em anular a emoção nem tão pouco criar uma única dimensão para o homem, a qual esse seria reduzido apenas à racionalidade. Vico acreditava que emoção poderia vir junto com razão. Assim a Teoria cíclica formulada por Vico se contrapõe a teoria linear[3]. A qual o avanço não retrocederia ao primitivo. Na proposta circular do Corsi e Ricorsi (razão e irrazão). A irrazão dava lugar à razão num processo de avanço, mais o mesmo poderia retroceder, vivenciando um processo de círculo em que nenhum dos dois poderia ser eliminado pelo outro. Nesse processo Vico apresentava essas três idades. A idade dos deuses representava a fantasia e suas criações imagéticas que criavam o mundo. A segunda idade, a dos heróis representava as primeiras construções de poderes, onde os fortes e os guerreiros constituíam um governo aristocrático, e esses governavam por seus feitos heroicos. A terceira idade, era a dos homens, governos monárquicos esclarecidos com leis universais, que derrubava a imaginação e dava ênfase à linguagem popular, uma época moderada e considerada racional. No contexto circular da teoria cíclica, depois de vivenciar a terceira idade, retrocederia a primeira fazendo novamente o mesmo processo, a qual a primeira não seria melhor que a última idade.
No campo da epistemologia da história, Vico também daria contribuições, no que diz respeito às origens, na qual colocaria a filosofia e filologia lado a lado, já que filosofia buscava a razão, a filologia o “certo”. A história se apresentaria como um estudo crítico das relações humanas, onde a razão e a verdade estariam implícitas dentro do mesmo contexto. Assim a filosofia não poderia encontrar a verdade distante da história e a filologia não poderia encontrar a verdade das linguagens sem antes uma reflexão sobre a civilização que constituíram essa linguagem. A grande preocupação de Vico em sua obra Ciência nova é mostrar que as construções das sociedades não foram articuladas umas com as outras, e havia até mesmo desconhecimento de uma sociedade para outra. No entanto o direito natural surgiu em todos os povos, de acordo com ele.
Por fim, as relações humanas são o que constroem as atividades que geram o gênero humano. A história para Vico tem como função esclarecer as origens e os detalhes que formaram a humanidade, a partir de suas relações. Para ele a história é uma representação humana dos feitos que os homens proporcionavam. Nesse sentido, ao tratar sobre tal questão, Vico acreditava que a História deveria dar “um prazer divino ao leitor, pois em Deus é a mesma coisa que criar e conhecer” (REIS, 2003, p.295). Pois o prazer que a História representava para o homem era o mesmo que Deus possuiria com a sua criação.

Ronyone de Araújo Jeronimo



[1] Descartes propôs fazer uma ciência essencialmente prática e não especulativa inspirado no rigor matemático e racionalista.
[2] Os empiristas acreditam que o conhecimento vem apenas ou principalmente, a partir da experiência sensorial.
[3]Visão contínua da história. Tudo está determinado, tudo será sempre desta forma, não mudará a não ser dentro de um processo continuo, gradativo.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Quem precisa sair do armário?



     O tema homossexualidade, sem dúvida, é uma questão que pressupõe discussões em diversos âmbitos: religioso, político, familiar, social, enfim, é um assunto que dá muito pano para manga. Há uma verdadeira obsessão por parte dos mais conservadores- se assim vocês me permitam- em saber o que os homossexuais fazem na cama ou por que elas não largam essa vida, ou ainda não assumem publicamente que são. Bom, posso até estar tendo uma atitude muito generalizadora ao fazer tais afirmações, então vamos por partes.
A sociedade como um todo, ou melhor, dizendo, a maioria dos grupos sociais existentes estabelecem modelos de comportamento. É sabido que o padrão heterossexual é tido como o “fundamental” comportamento para a procriação, aceito moralmente pelas diversas famílias de “respeito”, e de suma importância para “manter” a ordem social. Para quem se afirma heterossexual, pode até concordar ou não com tais ditames, mas diante de tal posição é bem mais fácil conciliar sua vida com tudo isso. Mas quem se sente- não sei se seria esse um termo apropriado- homossexual, há uma verdadeira confusão diante de tais imposições. É claro que muitos homossexuais já têm essa questão mais resolvida. E os demais?
É incrível como quando “os pais, as tias, os amigos, os colegas da escola, os professores percebem a orientação dos desejos sexuais e afetivos de um jovem ou de uma jovem, organiza-se em torno deles uma verdadeira campanha” (BERNADET, 2008). Nem sempre a pessoa tem formado isso na cabeça, mas ao se comportar de determinadas formas, esse “desviante” já é apontado como anormal, comprometedor, uma criatura que merece tratamento, seja psicológico ou de caráter religioso. Eis que esse clima de insegurança paira o imaginário social em torno do que o sujeito pode causar.
É perceptível que o preconceito gerado por essas pessoas gera uma perfeita conflitualidade dentro da mente daquele que não se enquadra dentro do modelo proposto pelos ditos “normais”. Pior ainda quando querem, a todo custo, que afirmem que são gays, e que se decida a saírem definitivamente do armário. Digo sair do armário no modo pejorativo do termo, não no movimento gay ou bi que tem como ideologia o enfrentamento sobre os direitos dessas pessoas. Mas é importante pensar que uma pessoa homossexual não é “obrigada” a estampar nos outdoors da cidade uma identidade gay. Essa tal política do reconhecimento exige que sejam reconhecidos publicamente de modo opressivo para aqueles que querem tratar de seu corpo, de suas relações como dimensões pessoais do eu (VITA, 2002).
Com esse argumento anterior não quero afirmar que não tenha de se dar visibilidade aos movimentos, as manifestações em torno da questão homossexual. Longe disso. Reforço minha discussão desse modo:

Em que medida alguns homossexuais (os militantes de movimentos gays, por exemplo) se empenharão ativamente na afirmação de uma identidade gay, ao passo que outros (mesmo tendo “saído do armário”) preferirão não fazê-lo, essas são escolhas que ficam por conta da liberdade de associação e da responsabilidade que cada um deve ter pelos próprios objetivos e fins. (VITA, 2002)

            A minha discussão gira em torno dessa questão da escolha, do respeito à liberdade de se afirmar ou não como homossexual. Cada um, na sua posição como pessoa, como indivíduo tem essa liberdade, mesmo que seja passível de questionamento. Isso, certamente, terá. Mas ao invés de se estabelecer tal campanha: assuma o que você é, o que você faz, não seria melhor pensarmos que essa pessoa não deve ser pensada em termos (perdoe-me a expressão) do que ela faz ou deixa de fazer na cama com seus parceiros? Um homossexual e demais denominações que usamos para qualificarmos e separarmos os grupos, são antes de tudo pessoas! Indivíduos que tem vivências, trabalhos, profissões, famílias, projetos, sonhos... Somos sim diferentes, mas ser diferente não é sinônimo de tratar com desigualdade. E quando reconhecidos como tal, é preciso mesmo obrigar a “sair do armário”? Quem precisa sair do armário? Seria melhor esconder nossos preconceitos nele? Resolveria também? Pense.

Gláucia Santos de Maria 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Bullying: Brincadeira de criança?


Cena do curta metragem  A peste da Janice (Porto Alegre, 2007)

Eu devo me lembrar para sempre, nunca irei esquecer.
Segunda-feira: meu dinheiro é tomado
Terça: me ofendem verbalmente
Quarta: meu uniforme é rasgado
Quinta: meu corpo encharcado de sangue
Sexta: está terminado
Sábado: liberdade!
(Última página do diário do menino Vijay, 13 anos, que se enforcou em sua casa. Manchester, UK, 1997).

      Esse é um dos relatos de crianças vítimas do bullying que, não encontrando alternativas para se livrarem dos seus medos e pesadelos ocasionados por seus agressores, no auge de sua angústia, retiram sua própria vida. O menino Vijay era bom aluno, tirava boas notas e a primeira vista isso não teria nenhum problema. Ele estudava em Manchester, Inglaterra, e a maioria dos seus colegas eram brancos e cristãos. Mas ele usava o cabelo comprido e o escondia com um turbante, dado que era da fé Sikh (Rolim, 2008). Em virtude das diferenças culturais, o jovem era perseguido, humilhado e agredido fisicamente pelos colegas que se divertiam com a situação, e o jeito encontrado por ele, diante do sofrimento que estava lhe causando, foi retirar sua própria vida. Mas isso não está distante da nossa realidade. A sociedade brasileira (Silva, 2012) foi tomada por um choque nacional em abril de 2011, quando o jovem Wellington Menezes de Oliveira de 23 anos tirou a vida de 12 estudantes da Escola Municipal Tasso da Silveira, onde o mesmo era ex-aluno da referida escola localizada no bairro de Realengo, Rio de Janeiro. De acordo com informações posteriores, o jovem Wellington em sua época de aluno da escola, era vítima de bullying. 
            Estudos relacionados ao bullying datam de 1970, e um dos pioneiros desses estudos foi o psicólogo sueco radicado na Noruega Dan Olweus que iniciou seus estudos acerca do fenômeno da violência escolar recorrente. O termo bullying no seu prefixo “bully” significa valentão, e por falta de uma palavra que não reduza o seu significado, há um consenso entre os pesquisadores em adotar a terminologia original (Rolim, 2008).
            O fenômeno bullying tem como característica principal a recorrência e que ocorrem entre pares (entre os estudantes), de modo que atos de agressividade, humilhações, fofocas, chutes, socos entre outros elementos, quando, praticados recorrentemente, podemos afirmar que se trata do fenômeno.
            Em meio a esse cenário encontramos a presença de três personagens, a saber, os agressores, as vítimas e os espectadores. Os primeiros são aqueles que sistematicamente pressionam suas vítimas, por elas terem alguma característica considerada anormal: ser gordo demais, magro demais, usar óculos, não usar a roupa da moda, ser estudioso, ter condição socioeconômica diferente etc. Os bullies ou agressores são pessoas populares, intolerantes, lideres de grupos, que “mantêm seu status social à custa da violência e da opressão de suas vitimas e se sentem mais poderosos cada vez que agridem e maltratam outros estudantes” (Teixeira, 2011, p.32). Quando a vitima demonstra fragilidade, e se sente intimidada, humilhada, de maneira geral, ela tem grande chance de ser alvo das práticas cruéis dos agressores. Nesse sentido, a segunda personagem, as vítimas, são aqueles estudantes que são eleitos por seus agressores, quando estes últimos encontram nos seus alvos o medo e a não reação de suas atitudes, daí percebemos nessa relação um desequilíbrio de poder, de modo que sendo a vitima refém do seu medo, ao transparecer isso, o seu agressor se sente mais poderoso e forte o suficiente para perseguir seu alvo. Acontece que os agressores precisam de plateia para agir, e eis que surge a terceira personagem: os espectadores. Estes quando não participam das agressões, como por exemplo, quando não incentivam as práticas, muitas vezes adotam uma posição de passividade e omissão, quando preferem ficar em silêncio, pois temem que se caso decidam denunciar, estes possam sofrer retaliações futuras, ou seja, temem se tornar as próximas vitimas. Essa postura dos espectadores, infelizmente, fortalece que casos de bullying sejam mais frequentes e camuflados, sem que não sejam descobertos por parte dos adultos, pais, direção e professores.
            O curta metragem com base em fatos reais chamado A Peste da Janice ( Link: http://www.youtube.com/watch?v=povo9wCtITomostra o modo como o bullying é praticado pelas meninas em uma escola de Porto Alegre. Janice sofre constantemente os ataques de suas agressoras que a considera suja, por isso o nome “a peste da Janice”, em virtude que sua mãe é faxineira na escola onde estuda, e que por isso é excluída por parte das outras meninas, exceto uma, Virginia, mas que se sente acuada de manter um contato mais próximo com Janice na frente das outras colegas de classe. A agressão recorrente no caso de Janice é a agressão do tipo verbal (uso do apelido), mas ela também é humilhada e passa por vários constrangimentos. Uma de suas agressoras, quando Janice tenta conversar com ela e a toca, a mesma sente nojo e diz: Ai a Janice encostou no meu braço, eu vou pegar a Peste da Janice! Esta toca nas outras meninas dizendo que vai passar a peste... Janice se sente extremamente excluída, humilhada, sem chão. E isso pode ser constatado quando Gabriel Chalita (2008, p.97) afirma:
Dizem que apelidos não têm cola, porém os cruéis, com certeza, têm pregos. Pregos causam dor e mesmo depois de arrancados deixam marcas e cicatrizes profundas.

            Infelizmente, todos os dias, Janice sente na pele o que é ser constantemente perseguida, e é marcada pela dor de ser humilhada pelas colegas.
De acordo com a literatura especializada no fenômeno bullying, entre as meninas as práticas recorrentes de violência na escola não são marcadas pelo uso da violência física, mas em alguns casos sim. Geralmente as agressoras fazem uso de elementos indiretos, dissimulados, por exemplo: excluem suas vítimas, espalham fofocas, utilizam apelidos maldosos, como no caso de Janice, infligindo sofrimento psicológico, ao que Calhau (2010) argumenta que “as meninas, com frequência, atacam dentro de um circulo bem fechado de amizades, tornando a agressão mais difícil de identificar e reforçando o dano causado às vítimas”.
            Inúmeros os exemplos que poderia citar aqui. Infelizmente enfrentamos dentro do espaço escolar uma problemática como essa. As agressoras de Janice acham que isso não passa de brincadeira, algumas riem, mas a vitima não. Educadores, pesquisadores, pais e a própria sociedade deve estar atenta. Muitos dizem que bullying é modismo, acontece que existe desde sempre, mas que apenas recentemente tem sido alvo de investigação e atenção. É importante salientar que, uma discussão e até mesmo um embate ocasional entre estudantes, mas que é solucionado no momento, não é bullying. Mas quando as agressões passam a ser recorrentes, isso merece atenção. Muitos dirigentes de escolas afirmam que não existe bullying em suas dependências, pois consideram que as práticas violentas entre os estudantes não passam de “brincadeiras de criança”. Será mesmo? Infelizmente ainda carecemos de explicações consistentes sobre o tema, pois por vezes percebemos que até a própria mídia coloca em suas matérias, considerando que toda e qualquer situação de conflito e violência como sendo bullying, e como disse, ele é caracterizado pela recorrência. 
            O bullying é um problema que atinge todos: sofrem os agressores, pois são vítimas da sua intolerância, da não aceitação do outro por ser visto como “diferente” de acordo com sua visão de mundo; sofrem as vítimas, pois são alvos de ataques constantes; sofrem os espectadores por se omitirem, por motivar tais atos de violência, por serem responsáveis para que o fenômeno se propague cada vez mais. Nossa discussão não se esgota por aqui. Espero em outra oportunidade explanar outras questões referentes ao assunto, fica por ora apenas a reflexão: BULLYING NÃO É BRINCADEIRA!

Gláucia Santos de Maria

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O poder das cartografias na construção do mundo


          
        As cartografias têm um papel extremamente significante na história da humanidade. Desde os tempos mais antigos, alguns seres humanos já se arriscavam na tentativa de descrever o espaço em que viviam a partir da elaboração de mapas. Os poucos recursos, infelizmente, não permitiam que estes fossem fiéis à realidade que o espaço proporcionava. Dessa maneira, o homem foi por muito tempo um crédulo das cartografias com poucos recursos, que nem sempre demonstrava a realidade, mas mesmo assim, ainda eram de grande utilidade.
            Nos tempos das grandes navegações do século XV e XVI, se iniciara um processo de desenvolvimento das técnicas cartográficas em razão dos avanços marítimos, das descobertas e conquistas dos europeus que muito ajudaram na construção e na elaboração de mapas mais aprimorados, como é o caso do mapa-múndi desenhado por Henricus Martelus no final do século XV. O historiador francês Bartolomé Bennassar irá dizer que Henricus Martelus conseguiu desenvolver o mapa-múndi, no qual fez um desenho excelente da Europa, desenhando também, um traçado bem próximo da realidade da África Ocidental.
            Acontece que a perfeição cartográfica ainda não seria possível ser desenvolvida nesse período, em virtude do desconhecimento de terras ainda não exploradas pelos europeus, e também pela falta de propriedade material que permitisse construir um mapa próximo da realidade. O próprio mapa-múndi de Henricus Martelus, que apesar de alguns acertos, também mostraria falhas, como por exemplo: a forma a qual África Austral se desloca claramente para o leste e como o mar vermelho foi colocado como se fosse bem mais amplo do que realmente é de fato. Todavia, não podemos julgar os erros de Martelus, já que este não possuía dados perfeitos, mas apenas aprimorou o mapa de Ptolomeu, que serviu como fonte, além das conquistas portuguesas que com seus relatos ajudaram no melhoramento deste mapa.
            É notório que a importância dos portugueses para renovação das técnicas cartográficas foram, de fato, enormes, pois estes se arriscaram nos mares, fazendo testes e experimentalismos, muito além das outras nações da Europa. E isso permitia a estes terem posse do saber, que para Foucault, “o saber gera o poder”. Nesse sentido, os portugueses tinham em mãos o poder, em virtude do saber, alcançado graças às experiências e aos mapas que foram desenhados próximo da realidade, que os ajudaram a desembarcar em qualquer lugar do mundo, e assim saber o trajeto de volta para casa.
            Assim, ao destacar a importância dos mapas para a construção do mundo como conhecemos hoje, as cartografias podem servir como material histórico, tendo em vista que eles são fontes que podem ser utilizadas como comprovação de fatos. Além disso, o conhecimento das cartografias ajuda ao historiador e muitos estudiosos, a relatarem o espaço, sem cometer equívocos, mesmo se baseando em antigos, mas sempre comparando com o mapa do globo que possuímos hoje. Desse modo, os mapas esclarecem, em certo sentido, o sentimento geográfico que as civilizações tinham sobre o seu entorno, tendo em vista que tentavam construir as suas espacialidades para se localizarem nesse mundo, sem nem mesmo o conhecer por completo.

Ronyone de Araújo Jeronimo

sábado, 29 de setembro de 2012

Poderosas e fracassadas:uma representação feminina nas “Helenas” de Manoel Carlos


        É quase um lugar comum afirmar que a televisão tem sido, desde o século passado, um importante instrumento de formação e renovação de práticas sociais e de comportamentos individuais e coletivos. Pensar esse veículo de comunicação como um mediador entre discursos e práticas consiste num modo relevante de demonstrar a importância e o caráter, até certo ponto normativo, que os conteúdos transmitidos pela televisão têm.
            Os conteúdos televisivos criam representações para os diversos grupos e segmentos sociais, bem como para atitudes individuais na vida cotidiana. Neste sentido, um modo bastante utilizado no processo de criação destas imagens é a teledramaturgia, através das conhecidas (inclusive, internacionalmente) telenovelas brasileiras. Na tentativa de historicizar a trajetória dos folhetins é relevante enfatizar que “a primeira telenovela diária foi ao ar em 1963: 2-5499 Ocupado, uma produção da TV Excelsior, lançada como uma opção despretenciosa. Na época não se podia imaginar que também estava sendo lançada a maior produção de arte popular da nossa televisão, além de grande fenômeno de massa, depois do carnaval e do futebol”.  A partir de então a produção foi aumentando e o gênero foi sendo aperfeiçoado com base nos recursos tecnológicos disponíveis.
            Todavia, aliada a um conjunto de aparelhos tecnológicos usados para deixar as novelas cada vez mais interessantes, estimulantes e atrativas para o grande público alguns autores optaram por retratar em suas tramas a vida cotidiana, tendo como elementos do enredo as relações familiares, as atitudes e as práticas diante de situações banais do dia-a-dia, entre outros aspectos. Um dos autores que se destacou e se afirmou nesse gênero de escrita para a telenovela foi Manoel Carlos, que estreou

(...) na Rede Globo em 1972, como diretor-geral do Fantástico. Trabalhou no programa por três anos, ao lado de Maurício Sherman, Augusto César Vannucci, Paulo Gil Soares e Luiz Lobo.
Em 1978, com a experiência de mais de 150 adaptações para a TV, transformou em novela o romance Maria Dusá, de Lindolfo Rocha, sob o título de Maria, Maria. A primeira telenovela de Manoel Carlos na TV Globo teve direção de Herval Rossano, com Nívea Maria no papel principal, e foi ao ar no horário das 18h.
 
            Mas o que lhe marcou realmente na televisão foram as conhecidas “Helenas”, criadas por ele. Este nome foi escolhido para ser dado às protagonistas de suas novelas a partir do ano de 1981 na novela “Baila Comigo”, na qual a atriz Lilian Lemmertz viveu a primeira Helena do autor. Desde então, “Maneco”, como é chamado pelos colegas de trabalho, passou a marcar as suas tramas com a presença constante de uma protagonista cujo modelo pode ser analisado em termos de uma representação forjada pelo autor na construção de uma identidade feminina.
            É possível dizer que há alguns elementos centrais usados por Manoel Carlos na elaboração de suas “Helenas”. Em todas as novelas suas protagonistas, que por motivos que mais adiante serão expostos nem poderiam ser chamadas de mocinhas ou heroínas, são envolvidas e perseguidas por temas e problemas como a maternidade, família, traição, ética, ascensão social e redenção moral, entre outros.
            A Helena vivida por Regina Duarte em “Por Amor” (1997) é lembrada como sendo uma das mais polêmicas protagonistas criada pelo autor. Na trama, Helena é mãe de Eduarda (Gabriela Duarte), com quem tem uma relação de amizade e cumplicidade invejáveis. Contudo, ambas conhecem, numa viagem a Veneza, Atílio (Antônio Fagundes), que, dentro de alguns capítulos, se tornaria namorado de Helena.  “Lá pelas tantas”, eis que mãe e filha engravidam simultaneamente, uma vez que Eduarda era casada com Marcelo (Fábio Assunção). Todavia, a felicidade delas duraria apenas até o momento do parto. Quando Helena soube que seu filho havia nascido saudável e de Eduarda havia nascido morto ela não pensou duas vezes e obrigou o médico a fazer a troca dos bebês. O motivo para isso também estava no fato de que num primeiro momento Eduarda já havia tido um aborto espontâneo e, perdendo este segundo filho, poderia não ter a possibilidade de engravidar de novo.
            Por motivos de síntese e fidelidade aos objetivos deste texto não serão descritas as sinopses ou circunstâncias principais vividas pelas Helenas, mas cabe ressaltar que o autor cria para quase todas elas dois elementos constitutivos de angústia e aflição: se por um lado, elas são bem sucedidas em suas carreiras, como é o caso das Helenas de Vera Fischer (Laços de Família, 2000), Christiane Torloni (Mulheres Apaixonadas, 2003) e Taís Araújo (Viver a Vida, 2009), elas precisam lidar com uma vida afetiva, familiar e amorosa conturbada e cheia de desafios. Outra atriz que também viveu uma Helena foi Maitê Proença, em 1991, na novela Felicidade.
            É possível apontar que o autor tenta, em suas Helenas, demonstrar a dificuldade vivenciada pela mulher moderna que assume múltiplas tarefas e compromissos, tendo a responsabilidade maior, sob certo aspecto, de dar o melhor de si para ser reconhecida e respeitada profissionalmente. É isso o que ocorre com a Helena de “Viver a Vida”, que passa por muitas dificuldades até se tornar uma modelo internacionalmente reconhecida.
            Contudo, o autor cria e fortalece também a dicotomia entre vida pública e privada, demonstrando claramente que a mulher tem mais dificuldades em se emancipar e ser autônoma, tendo em vista elementos de ordem afetiva como a família e as relações amorosas. Sob este aspecto, o autor demonstra como não é fácil administrar a traição do marido, as dificuldades de inserção da filha (adotiva) portadora da síndrome de Down no ambiente escolar e a carreira de obstetra bem sucedida, como está escrito e vivido por Regina Duarte em “Páginas da Vida” (2006).
            Além desses aspectos, Manoel Carlos tipifica em suas Helenas o retrato de mulheres que não tendem a seguir um modelo romântico que fortalecia a imagem de mocinhas e vilãos. Nas suas tramas, as protagonistas são mulheres que amam, que odeiam, que são generosas, mas também,  sob muitos aspectos, portadoras de doses generosas de  egoísmo. São contraditórias e dizem agir em nome do amor que sentem, quando através de atitudes pouco planejadas deixam-se levar pelas emoções e pelas angústias que vivem.
            A partir destas reflexões podemos perceber como Manoel Carlos, através de suas novelas e de suas Helenas, cria uma imagem para representar um conjunto maior de mulheres que, não necessariamente, se sentem incluídas ou assemelhadas ao modelo de feminilidade forjado por ele. Se as suas protagonistas marcam um diferencial na abordagem da mulher, mostrando-as como independentes, autônomas, competentes e tão iguais quanto os homens para ocupar lugares na sociedade, mostram, contudo, a emoção e as sensibilidades vividas por elas como sendo aspectos que as desestabilizam e as retiram do foco da razão frente aos desafios com os quais precisam lidar cotidianamente.
            Em 2013, o autor irá escrever a sua última novela e, consequentemente, a última Helena. A atriz convidada por ele para interpretar este papel foi Julia Lemmertz, filha de Lilian Lemmertz, que viveu a primeira Helena do autor. Segundo ele, esta decisão foi tomada com o objetivo de que com uma filha fechando o ciclo das Helenas, ele possa realmente ter marcado o fim de um processo. Cabe, contudo, acompanhar, se emocionar e avaliar de que modo esta nova Helena se mostrará realmente “nova” e quais as polêmicas, temas e questões sociais que o autor buscará, através dela, enfatizar em sua última trama. 

José dos Santos Costa Júnior

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

As aventuras de Dante no Inferno, Purgatório e Paraíso



Dante considera os riscos e trabalhos da jornada. Virgílio, para esforçá-lo, explica-lhe o motivo do seu aparecimento: fora enviado por Beatriz, que o procurara no Limbo. Revigora-se Dante e prossegue na jornada com ânimo resoluto. (Canto II)

O trecho anterior é referente a uma das obras consideradas como clássicas da literatura mundial: Divina Comédia de Dante Alighieri, nascido em Florença, 1265. Nesse texto procuraremos discorrer alguns dos acontecimentos relativos à Divina Comédia, segundo a qual Dante fala através de alegorias, de modo que ele é ao mesmo tempo autor e personagem do livro em questão, e mostraremos assim algumas das aventuras vividas por ele na presente obra.
A carga literária contida em Divina Comédia se dá também em virtude da influência de Virgilio, autor da obra Eneida, considerado um dos pensadores mais importantes do ocidente. Nesse sentido, convido a todos a acompanharem as aventuras de Dante, que mesmo em vida, percorreu os caminhos do mundo extraterreno: Inferno, Purgatório e Paraíso.
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Era meia noite de março de 1300, Roma. Lá estava Dante, perdido na Selva Selvaggia, onde lhe fora concedido nessa ocasião uma jornada que marcaria sua vida: dois dias no Inferno, quatro no Purgatório e um no Paraíso. Partia assim o aventureiro, do mundo físico e concreto para o invisível.
Dante se esforça a subir uma colina e defronta-se com uma pantera, um leão e uma loba. A pantera não é dita explicitamente sua simbologia, mas o leão refere-se a moral e a loba tem dois sentidos: moralmente é a avareza e politicamente representa o poder temporal dos papas.
Para evitar esses perigos, aparece-lhe Virgilio, aquele que representa razão, sabedoria moral e a própria consciência do poeta. E este lhe propõe visitar os três reinos eternos, servido assim como um guia pelos círculos do Inferno, Purgatório e indo de encontro com Beatriz, a mulher amada: aquela que revela a sabedoria cristã iluminada pela graça, e que o conduzirá ao Paraíso. É por isso que o fragmento que abre a nossa discussão revela que Dante “prossegue na jornada com ânimo resoluto” tendo em vista que a amada Beatriz o procurara.
Dante chega à porta do Inferno e lá há uma inscrição que explica que lá estão as almas que, indiferentes do bem e do mal permaneceram neutras e, por isso foram excluídas do Céu e foram lançadas ao Inferno. E eis que em um barco Dante se encontrava: percorria assim a passagem do arrependimento dos pecados dos que lá se encontravam, mas não seria então uma reflexão das suas próprias culpas diante do sofrimento destes? Ele adormece.
O Inferno, assim como as outras duas dimensões (Purgatório e Paraíso) é dividido em círculos, nos quais se encontram as almas que, de acordo com suas falhas foram arrebatadas. Encontramos nesse lugar os desesperados, os atormentados, os gulosos, onde estes últimos são vigiados por um cão monstruoso Cerbélo que não para de latir, onde caí sempre uma chuva misturada com neve e que exala um odor insuportável. E Dante segue viagem.
Avareza, Orgulho, Inveja: incêndio nos peitos das almas pecadoras. O poeta assim encontra hereges, soberbos, e aqueles que tiraram suas próprias vidas: estes últimos acham-se transformados em troncos de árvore: ásperos e nodosos. E um suicida clama: “Fui homem, hoje o lenho, o que estás vendo!” (p.83).  Dor, gritos e gemidos dos seres arrebatados; apresentam-se também os “hipócritas, que andam revestidos de capas e capuzes de chumbo e exteriormente dourados”. (Canto XXIII, Inferno, p.129).
E assim, Dante vê diante dos seus olhos as penas daqueles que em vida cometeram atos, que considerados nocivos à vida humana, foram jogados ao martírio eterno devido suas faltas.
*
Para o nosso hemisfério de repente.
 Também fugiu de medo, a que se avista;
Vácuo deixando aqui fez monte ingente.
 (Canto XXXIII, Inferno, p.178)

O monte ao que se encontrava Dante era o Purgatório. Chegam o poeta e Virgílio à barca dirigida por um anjo e muitas almas, percebem ao longe o sol no horizonte. Lá encontram as almas daqueles que se arrependeram dos seus pecados na hora da morte, no seu último suspiro, e vê alguns daqueles que findaram suas vidas do mundo terreno: são amigos, desconhecidos e personalidades de sua época. Veem-se soberbos, invejosos que têm suas pálpebras unidas a fio de ferro.  Em outro círculo Dante percebe os que cometeram a ira, e estes cantam hinos de misericórdia. Dante aproxima-se e vê os avarentos e, os que foram consumidos em vida pelos prazeres da carne, pela luxúria. Virgilio a essa altura, diz a Dante que não precisa dar-lhe mais conselhos, e parte.
No canto XXX aparece Beatriz, rodeada de anjos e Virgilio desaparece. Dante se confessa culpado de muitos de seus atos e renuncia, assim, muitas das suas práticas.
*
Dante parte para o Paraíso ao encontrar:

Mais frescas na hástia mostram-se, mais belas,
Puro sai das águas consagradas,
Pronto a me alar às lúcidas estrelas.
 (Canto XXXII, Purgatório, p.355)

É a visão do Paraíso. E assim, Dante sobe ao primeiro céu acompanhado de Beatriz, e esta lhe tira suas dúvidas. Ele atravessa o céu da Lua, interroga alguns espíritos, e deseja saber sobre a imortalidade. Conhece através de Cacciaguida, seu progenitor, a sua genealogia familiar. Avista anjos e arcanjos. E diz:
Mas a vontade minha a ideias belas,
Qual roda, que motor pronto obedece,
Volvia o Amor, que move o Sol e estrelas.
(Canto XXXII, Paraíso, p.522)
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Após a visão desse imaginado Paraíso, no final do poema, é revelado a Dante que destino levará o seu desterro, sua finitude. Por que se chama Divina Comédia? Folhei a obra e visite os caminhos, segredos e obstáculos enfrentados por esse poeta que, ainda em vida, conseguiu atravessar e conhecer o mundo extraterreno.

Gláucia Santos de Maria

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quando a ficção se confunde com a realidade


        
          É interessante pensar que a vida em alguns momentos ganha uma aparência semelhante a um produto cinematográfico. Porém, essa semelhança pode ser justificada em razão das artes cênicas serem uma produção humana. Logo, as criações que são elaboradas para o cinema, TV e teatro tentam representar um pouco do nosso cotidiano, mesmo que em alguns momentos o que seja apresentado não reflita nossa vida em sociedade, mas algo em comum será encontrado nos diálogos em que os personagens irão introduzir na trama. Os atores e atrizes levam a sério o papel que foi concedido, e de uma forma ou de outra, tentam dar uma cara aquela construção sem rosto, mas, que ganha forma no corpo de quem está encenando.
Essa entrega dos atores cria um aspecto de realidade, no entanto, o que está sendo transmitido se trata de uma produção ficcional. Mas o que seria ficção e realidade?  Se avaliarmos rapidamente chegaríamos logo a uma resposta, dizendo que a ficção é algo que engloba nosso imaginário, algo impossível só visto em filmes e livros. Diferente do que fora expresso sobre a ficção, a realidade apareceria como sendo algo que está plausível, que não possui fugas, nem tão pouco finais sempre felizes. Pois a vida acaba sempre com a morte do ser. A resposta que fora construída em razão da pergunta que fora formulada, é o que vem em nossa cabeça. Porém, se pararmos mais um pouco para pensar, logo se constataria que a realidade anda de braços dados com a ficção.
O ser humano tende a interpretar um papel, ou vários ao longo de sua vida, sem ao menos prestar atenção nesse fato. Um dos primeiros estudiosos a destacar esse comportamento humano foi o cientista social canadense Erving Goffman na sua obra intitulada “A representação do eu na vida cotidiana” de 1959. Dentro dessa obra Goffman destacou que o ser humano produz eternas representações dramatúrgicas. A partir desta colocação fora possível elaborar conceitos que destacam a nossa vocação para arte cênica. Uma delas é a performance. Diante de situações improváveis ela se torna visível e isso pode ser constatado em um exemplo a qual Goffman destaca, o fato de um ser inferior financeiramente quando visitado por um superior, tende criar um espaço familiar para o superior buscando manter uma relação afetiva para adquirir favores futuros. Para isso ocorrer é necessário o inferior ter já certo conhecimento do superior para criar uma performance convincente que ludibrie a opinião que o superior tinha construído antes daquele encontro.
Goffman atenta também para a construção de fachadas, a qual muitas vezes nos escondemos e isso também se reflete a esta tendência dramatúrgica que nós possuímos. O fato de possuirmos uma personalidade e tentarmos se passar por outra, se trata de uma tentativa de esconder nosso eu, que não agrada os outros, e que ajuda a construir diferentes personagens que possa tornar agradável nossa presença. Acabamos assim, nos utilizando de máscaras que escondem nossos lados obscuros e dissimula o que realmente somos. Tendemos a atuar de variadas formas, em principio para se viver um mendigo é necessário de um figurino que seja condizente com o local a qual o mesmo vai ocupar.  O traje e o cenário são fundamentais para uma boa atuação. Imagine um pedinte com roupas de grifes em um Shopping Center, qual seria o poder de convencimento desta pessoa para angariar donativos? Acredito que nenhum.  O local e o figurino adequado é que define a boa encenação.
Hoje temos os reality shows,  programas de TV que confinam pessoas para monitorar os seus comportamentos em razão de criar para o telespectador que está assistindo aquele produto algo que é exposto como sendo a vida real. No entanto, o que se vê são pessoas, que na ganância de conquistar o prêmio que o programa dar, assumem papéis para iludir quem está ao seu lado e ao público preferencialmente. O que ocorre nesses programas, se trata em certo sentido do mesmo contexto de um local de trabalho. Por exemplo, uma firma. Um funcionário tentará passar uma imagem para o patrão que propriamente não faz parte da sua característica só para conseguir deste uma promoção ou aumento no salário, tudo pelo intuito de obter uma melhor condição financeira. A encenação se mostrou visível, e também fora convincente.
A arte de atuar, nos mostra que todos nós de vez em quando assumimos papéis, que não são propriamente quem somos. Mas, talvez esse quem somos, também não seja um papel que encenamos, e que levamos conosco até o fim da vida? É algo a se refletir.  Muitas vezes percebemos que o real e o ficcional se confundem em circunstância do comportamento humano que assume papéis diversos.

Ronyone de Araújo Jeronimo

sábado, 11 de agosto de 2012

Homicídios: vitimização das mulheres brasileiras



Ao longo dos últimos anos temos percebido que a violência urbana tem sido alvo de muitas discussões em nível nacional. Diante do debate sobre a violência no Brasil, alguns pesquisadores estão se esforçando em compreender a lógica existente em tal fenômeno. Nesse sentido, estudos feitos pelo Mapa da Violência 2012 no Brasil vem trazer à tona dados referentes à ocorrência do fenômeno em território brasileiro. Este ano tal estudo trouxe também um anexo que mostra a vitimização feminina por homicídios. De acordo com o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz (2011), informações relativas a esta questão são poucas no Brasil, e por isso este julgou oportuno tal divulgação de dados devido a sua relevância.
Waiselfisz afirma que a fonte básica para a análise sobre os homicídios no Brasil é o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A Lei brasileira de n° 6.216, de 31/12/1973, aponta que nenhum indivíduo pode ser sepultado sem que tenha a certidão de óbito, já que este é um instrumento que fornece dados referentes à idade, sexo, estado civil, profissão e local de moradia da vítima.
Ainda segundo este estudo, outra informação importante que a legislação brasileira exige é a causa de morte.  Dentre as causas de morte temos o homicídio. Este é caracterizado pela presença de uma agressão de caráter intencional de terceiros, de modo que estes fazem uso de qualquer meio para que sejam provocadas lesões ou danos a vitima, levando esta a óbito. Dentre os meios mais utilizados para tais fins, encontramos, por exemplo, o enforcamento, o estrangulamento, disparos de arma de fogo e etc.
Não é de hoje que temos noticiado pelos meios de comunicação à ocorrência de homicídios que vitimizam muitos de nossos brasileiros. São homens, mulheres e crianças que são alvos de seu poder destruidor e mortal. Acontece que tem sido um fato frequente a preocupação com relação à violência contra a mulher. Nesse sentido, procuraremos através deste, nos esforçar para trazer à tona alguns dos principais dados que se destacam quando tratamos sobre o fenômeno do homicídio contra as mulheres, que tem levado muitas de nossas brasileiras a óbito.
O Mapa da Violência 2012 mostra um breve histórico das mulheres que foram assassinadas entre os anos de 1980 e 2010. Segundo este documento, nesse período de 30 anos, cerca de quase 91 mil mulheres foram assassinadas. Os dados mostram que o número de mulheres vítimas de tal violência no ano de 1980 foi de 1.353, e passou para 4.297 em 2010, ou seja, o crescimento do número de mortes catalogadas foi de 217,6%, segundo Waiselfisz.
Outra informação relevante nesse estudo é no que concerne aos instrumentos utilizados para atingir a vítima. Dentre eles o mais frequente é o uso da arma de fogo (53,9%), mas encontramos também os objetos cortantes e penetrantes, e além desses, o uso da sufocação que são muito recorrentes quando tratamos da violência homicida contra a mulher. Quanto ao local que ocorrem tais incidentes, a residência ou domicílio da vítima é o mais preponderante, atingindo a marca de 40% dos casos.
Pelo que vemos os dados não se esgotam. Levando em conta os estados brasileiros (100 mil mulheres/2010), o Espírito Santo fica em 1° lugar, com taxa de 9,4 de mulheres assassinadas, enquanto que o estado do Piauí fica em 27° lugar, em último, com taxa de 2,6 brasileiras (em 100 mil). A título de exemplo, o estado da Paraíba fica em 4° lugar, com taxa de 6,0 mulheres vítimas de homicídios.
As idades das mulheres vítimas de homicídios no Brasil estão concentradas entre 15 e 29 anos, com maior ênfase no intervalo de 20 a 29 anos de idade. Nos primeiros anos de idade, por volta dos 4 anos, as meninas são vitimas de suas mães. Chegando aos 14 anos, os pais são seus principais agressores. O papel de agressor com o passar do tempo, é substituído pelo cônjuge, namorado ou os ex, de modo que estes agridem mulheres por volta dos seus 20 a 59 anos de idade. A partir dos 60 anos, as mulheres são vitimas de seus filhos.
Pelo que vemos através do estudo do Mapa da Violência 2012, os homicídios contra as mulheres são alarmantes e merecem nossa atenção. Expusemos apenas alguns dados, mas estes se revelam preocupantes. Percebe-se através desse estudo que os níveis de vitimização das mulheres são acompanhados de elevados graus de tolerância da violência contra a mulher. Mesmo que as mulheres tenham uma lei a seu favor, A Lei Maria da Penha, promulgada em 2006 que neste ano comemoramos 6 anos de sua existência, e mesmo que esta tenha possibilitado uma considerável queda nos casos de homicídios contra a mulher no ano de sua implantação, em 2008 as taxas aumentaram se analisarmos com cuidado os dados do Mapa da Violência. É perceptível que ainda carecemos de políticas públicas suficientes para que se possa reverter tal situação. Nesse sentido, não resta dúvida de que se faz necessário medidas cabíveis que sejam capazes de prevenir e consequentemente diminuir o fenômeno da violência contra a mulher. E que possamos ser capazes de usar as ferramentas necessárias para extinguir ou ao menos reduzir tais taxas, denunciando às autoridades possíveis casos de violência, no caso das mulheres que se sentem ameaçadas, procurarem ajuda das entidades que lidam com tal questão. Cabe a nós como membros da sociedade brasileira nos mobilizarmos a fim de que os agressores sejam punidos de acordo com suas práticas, e mais que isso, evitar que tais mortes sejam concretizadas.

Gláucia Santos de Maria